mídias virgens & condessa buffet

nuvenzinha, somatório de vigores, sementério de notícias, melancoriza e dengo

montanha de pedras atiradas

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O escritor tem de ser quatro pessoas.

1) O pirado, o obsédé

2) O idiota

3) O estilista

4) O crítico

1 fornece material; 2 deixa ser publicado; 3 é o gosto; 4 é a inteligência

Um grande escritor tem todos os quatro – mas é possível ser um bom escritor só com 1 e 2; são os mais importantes.

Diários [1947-1963], Susan Sontag

Written by bb

April 19, 2011 at 11:42 pm

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ROUPA COM CHEIRO DE MALA

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Amelinha: por onde anda?

É o que me pergunto há algum tempo.

Grande poeta e intérprete de Fagner, Ednardo, Belchior, Walter Franco e Zé Ramalho.

Já que não tenho notícias, resolvi matar a saudade reunindo nove belas canssões de seu espólio.

Um espante este fruto do Ceará.

ROUPA COM CHEIRO DE MALA

Artista: Pequena Amelia

1. Ponta de espinho
2. Galope rasante
3. Dez mil dias
4. Frevo mulher
5. Flor da paisagem
6. Foi Deus que fez você
7. Santo e demônio
8. Dia branco
9. Divindade

ABAIXE se tiver corassão.

Written by bb

April 18, 2011 at 3:16 am

a vida é sonho a vida é sonho a vida é sonho

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minha alegria

minha alegria permanece eternidades soterrada
e só sobe para a superfície
através dos tubos alquímicos
e não da causalidade natural.
ela é filha bastarda do desvio e da desgraça,
minha alegria:
um diamante gerado pela combustão,
como rescaldo final de um incêndio.

::

A poesia não tem lugar nobre pra acontecer. Não é só o mármore como os parnasianos, os cultores do monte parnaso pensavam. A poesia não tem só locais, ou materiais nobres, ela usa os mais diferentes materiais, não há vulgaridade pra ela, você pode restaurar, é um trabalho intenso, é um trabalho construtivista, não o construtivismo de 100 anos atrás, é um construtivismo dos nossos tempos, de quem está com olhos novos para o novo, com ouvidos abertos, e também com capacidade de ler diferentes tradições, não ficar ensimesmado, isolado.

::

Não suba o sapateiro além da sandália
– legisla a máxima latina.
Então que o sapateiro desça até a sola
Quando a sola se torna uma tela
Onde se exibe e se cola
A vida do asfalto embaixo
e em volta.

::

Waly Salomão de vários jeitos no Pan-cinema Permanente

Written by bb

April 17, 2011 at 12:16 am

TINETA

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Mais uma cançãozinha em parceria-pureza com o Risos, gravada ontem num parq de Lisboa com a ajuda do FORTUITO.

Written by bb

March 28, 2011 at 1:17 pm

qué es un estetoscopio

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Traduções do Sergio Ernesto Ríos para uma antologia mexicana de poetas brasileiros nascidos nos oitenta a ser lançada embreve.

::

aretes

el miedo amarillea
los dientes corroe
todas las tentativas
de nombrarlo

nada nos asegura
ni nadie podrá
defendernos: estamos vivos

y si del paraíso estamos lejos
cada vez más lejos quiero vivir
distante, muy distante
de lo que sólo es posible en el papel.

::

(trident) sandía

ríe y llega
de su sonrisa
la frescura de la lavandería
a perfumar el humo
del cigarro

15% la humedad relativa del aire
hago fiesta
9 grados sin chamarra
caos aéreo
tchup tchup tchuru

tu sonrisa lija
la tinta negra
de la mía.

::

saison en enfer

mlle verlaine
va con extraños
como van los niños

a perturbar médicos
para saber qué es
un estetoscopio

mlle verlaine
me ama infinito
como aman los niños

pero no me quiere ver
ni en pintura
de Londres en 1872

quiere verme durmiendo
dulce
debajo de la tierra.

::

Situación

estoy durmiendo en el lodo
de la zanja confortable donde duermen
los enamorados

y lamiendo jabón de perro,
sonriendo, sintiendo aroma de manzana
donde no hay

llamando a los amigos para comer
y dejando la comida enfriar
para hablar de ti.

::

NEIGHBORHOODS

si el mundo no fuera
ese vertedero de
máquinas
barbas
pilas

débitos
plazos
y plumones
marca-texto

miedos
dudas
y embalajes
tetrapak

si el mundo no fuera
un vertedero de pendejos
o si el mundo no fuera
un abarcador
y resumido
vertedero de sinónimos

y si esa calle
si esa calle
fuera la tuya
yo me mudaría allá.

::

Written by bb

March 25, 2011 at 3:27 pm

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365 poemas a 1 real

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A Fundação Badtrip de Amparo ao Psicodélico colocou no ar ontem o blog 365 POEMAS A 1 REAL.

O idealizador do projeto, Fred Leal, declarou nesta madrugada:

Descolamos R$ 365,00 pra fazer esse blog. E nem foi via Lei Rouanet, descolei a grana com a minha avó, que concordou em se tornar um mecenas da poesia para o século XXI. Assim, dividi entre a galera da FUBAP e vamos todos gastar essa grana parcimoniosamente ao longo do ano, no intuito de divulgar a nova produção poética nacional.

Sem dúvida, Fred Leal confirma mais uma vez que é um homem de visão.

Assim como Olga Leal, sua avó, que faz o melhor sorvete caseiro da região metropolitana do Rio de Janeiro, o internacionalmente conhecido: OLGA BON.

Enquanto esta bela ideia nascia, eu babava em meu leito vitoriano, acordo hoje e para minha honra, a estreia do projeto é com um poema meu, do Balés, o Dirígivel do Amor, interpretado pelo próprio Fred:

O segundo da série é de Alice Sant’Anna, mandem seus videos, pelo futuro da poesia independente.

Descubraqui como particupar.

Written by bb

March 17, 2011 at 1:21 pm

IPHAN

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Quem tem avó tem patrimônio. Café de vó, bolo de vó, colo de vó, cafuné de vó, voz de vó, cheirinho de vó. Falo das minhas, vasteza de delícias. Ter avó é melhor do que ter numa mesma casa – porque quem tem avó tem casa não tem apartamento – varanda, quintal, árvore, bicho, poço e janelas grandes com boa entrada de luz. É o que penso quando deito nelas, o mundo para um pouquinho, um carinho forte e antigo, de onde será que vem? E quando elas me olham seus olhos são quatro compotas de doce de leite fresquinho dizendo Come mais, comeu muito pouco, anda, dá o prato aqui. E depois disso tirar um ronco em suas camas, as mais macias da paróquia, acordar com serenidade de índio e tomar um café quentinho. Bom assim. Ter avós. Melhor herança. Patrimônio. Bem da humanidade. Quero ser mãe só pra ser avó.

Written by bb

February 28, 2011 at 8:32 pm

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