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Archive for the ‘blissência’ Category

MELANCORIZA NA JANELA DO FUSCA

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Retomo a série CARINHO COMPAQTO com as músicas que mais ouvi e curti na madrugadona das rádios do Hills enquanto ia e voltava com meus pais de e para Parada de Lucas, Coelho Neto, Ilha do Governador e Nilópolis.

A época é precisa: começa em 92, dois anos antes da construção da linha vermelha. Não estive jovem na construção de Brasília, mas andei muito de bicicleta numa parte terreno do onde depois construíram a viexpressa.

Dava de costas prum bairro que morei chamado LAGUNAS E DOURADOS (o monumento ao acontecido ironicamente fica na Urca). Minha primeira incursão como mestre de obras é que sempre passava por lá durante o processo pra verificar o andamento. Eu não sabia do que se tratava na época, mas anos depois percebi.

As músicas são maioria do final dos anos 80, os êxodos começaram em 92 mas e essa época não termina nunca porque essas músicas tocam até hoje, nos mesmos horários, se você refizer qualquer percusso desses. É a superação do jabá pela memória.

Na linha vermelha também vi a sombra (o espírito, a alma) de uma mulher nua correndo no meio da pista de madrugada e quase caindo no carro do meu pai. Não só eu vi, eles viram também. Ela sumiu depois. A teoria do meu pai é que provavelmente ela teria sido estuprada numa das favelas ali perto – Vila Ideal ou Lixão – e começou a correr pelada transtornada pra fugir. Jamais saberemos.

Tive que deixar muita coisa de fora porque só quis botar a primeira seleção que me veio na cabeça, assim na emossão.

LINHA VERMELHA – A MELANCOLIA INTERMUNICIPAL
1. Frisson – Tunai
2. Reluz – Marcos Sabino
3. A lua e eu – Hyldon
4. Cada um, cada um – Claudio Zoli
5. Aventura – Eduardo Dusek
6. Só pro meu prazer – Heróis da Resistência
7. Cheia de charme – Guilherme Arantes
8. Esquece e vem – Nico Rezende
9. Papel machê – João Bosco
10. Escândalos de luz – Affonsinho
11. Muito estranho – Dalto

REMEMORE COMIGO baixando.

Written by bb

January 4, 2011 at 3:33 am

se cuida, macalé!

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quero que você chute a minha canela
quero que deite na cama e sinta a dor de dividir
com muito amor não afaste sua cabeça do amor
fique com ela só mais um pouquinho

ela vale a pena, você vale a pena
o encontro a anatomia sexual na vida

mas tive uma onda hoje de comunicação
mas tive uma onda hoje de comunicação
mas tive uma onda de comunicação de amor

eu descobri o amor.

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Eu nao aguento mais fazer jabá pro Letuce. E acho que vocês também não.

Mas vai mais um: baixem, por favor, o ep COUVES.

São versões pra alguns grandes clássicos da música mundial que atravessa fronteiras e décadas. Assinado Cravo Albim.

Tem lá:

1. Poderosa – Raça Negra
2. You Gotta Be – Desree
3. Que se chama amor – Só Pra Contrariar
4. Seu amor é Rei, versão de Your Love is King, da Sade
5. Baliza, música inédita deles com um refrão de fazer muita inveja a Alcione: “eu to assada de amor”.

Written by bb

August 4, 2010 at 9:59 pm

O BROTO

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Devido ao desestabilizante abalo tectônico causado nos corações acalorados com a estimada coletâenea Músicas do Parque Volume 1, está no ar na grande nuvem da rede mundial de computadores:

Músicas do Parque Volume 2

1. A Sorte – Demétrius
2. Eu já  nem sei – Wanderléia
3. Sorri, meu bem – Paulo Sergio
4. Eu nunca mais vou te esquecer – Moacyr Franco
5. Eu queria dizer que te amo numa canção – Fernando Mendes
6. Devolva-me – Leno e Lilian
7. Brigas – Altemar Dutra
8. Mar de Rosas – The Fevers
9. Sua estupidez – Roberto Carlos
10. Que tolo sou eu – Nelson Gonçalves

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Para baixar e sorrir!

Written by bb

July 19, 2010 at 4:24 pm

Os Paqueras

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Cresci ouvindo uma denominação que até hoje não sei se minha família criou ou se era uma expressão comum aos jovens que frequentavam os mesmos lugares que meus pais e tios na época: música do parque.

Durante muito tempo imaginei que o que qualificava uma música como do parque era o fato dessa música já ter tocado algumas vezes no parque, mesmo sem entender muito bem em que circunstâncias se ouvia música no parque.

A cada ano que passava eu recebia um novo detalhe que dava à expressão mais clareza: antigamente, nos subúrbios e interiores, era comum ir ao parque. De diversões, precisamente. Aquele com roda gigante, maçã do amor e bola de meia. Nunca mais vi.

E aí os parques, assim como os circos, eram as grandes atrações dos bairros que não ofereciam nenhum tipo de entretenimento. Para passear era preciso “ir a cidade”. Minha mãe diz que era ou ir ao parque ou passear no cemitério. Duas opções.

Obviamente o parque era o destino favorito das turmas, da paquera e dos casais de namorados. É dessa mesma época outra expressão que não se usa mais: namorar escondido.

Pois bem, estando no parque, havia uma trilha sonora que alguém indefinido escolhia pra tocar em todas as caixonas de som espalhadas pelo grande terreno de barro. Uma mistura de rádio e DJ, coletânea de emoções juvenis.

Mas, as mais tocadas eram sempre escolhidas e dedicadas num estilo correio amoroso: uma pessoa escolhia uma música e mandava dedicar “pra garota de vestido de vermelho que está em pé na barraca de milho”. Ou então, “Valtinho da Rua Tal dedica tal música para o amor de sua vida. E por aí vai. Uma Antena 1 FM só que LIVE.

E como estar no parque era sempre um evento – dessas sensações que, pelo que vejo no jeito como minhas tias contam, a gente tem poucas vezes na vida mas nunca esquece  –  tudo que tocou um dia no parque marca até hoje.

Ouvi essas músicas a vida inteira, e mesmo sem ter vivido esses momentos, purezas provincianas que despertam mim um estranho encanto, a vontade que me dá todas as vezes que lembro dessas histórias é de ter um parque.

E como provavelmente nunca vou ter um parque, pedi pro meu pai e minha mãe fazerem uma coletânea das 10 mais. Eles apareceram com as 20 mais, eu organizei e dividi em dois volumes.

Agradeço também a contribuição da Parê, minha vó do breu, que até chorou relembrando as canções.

Músicas do Parque Volume 1

1. Vem me ajudar – The Fevers
2. O Pão – Sérgio Murillo
3. A Desconhecida – Fernando Mendes
4. Ah! Como eu te amo – Dori Edson
5. Coração de Papel – The Silver Boys
6. Escreva-me – Marcos Roberto
7. Tema Para Jovens Enamorados – The Jet Black`s
8. Coisinha Estúpida – Leno e Lillian
9. Roda Gigante – Arthurzinho
10. Gatinha Manhosa – Erasmo Carlos
11. Era Domingo – Reginaldo Rossi
12. Ternura – Wanderléia e The Youngsters
13. Stella – Cauby Peixoto
14. Ninguém vai tirar você de mim – Roberto Carlos

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Se vocês curtirem eu subo o volume 2. Atualizado: músicas do parque 2 aqui.

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Conheça também a CORAÇÃO ROLOU NO LIXO – O COMPACTO DISCO

Written by bb

July 14, 2010 at 12:05 am

PÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓNN!

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Foto de Alice Uchôa/ G1

Um arsenal de botões da copa e o melho instant VUVUZELA.

Written by bb

June 15, 2010 at 2:14 pm

La nouvelissime littérature

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O jornalista Bolívar Torres (Caderno B – Jornal do Brasil) começou a editar há um mês um blog/revista de literatura e poesia brasileira pra França (em francês), um dos países da Europa que menos publicam escritores brasileiros: “O brasilianas talvez contribua para a penetração da nossa literatura por lá. A ideia é falar sobre autores e tendências, a literatura como espelho da nossa cultura, costumes, história, etc, algo que dê um panorama do nosso país, sem os exotismos e clichês mais comuns lá fora.”

Semana passada começou a série de perfis/entrevistas com poetas, e o primeiro foi sobre o meu trabalho – La nouvelissime littérature – sobre os dois livros, uma minibio, citações e detalhes sobre a escritura do Balés.

Les vers de Bruna reproduisent, en version 2000, cette espèce de « douleur joyeuse » tant chantée par Vinicius de Moraes durant la période dorée de la culture et du development économique du pays. Quelque part entre la tristesse blasée et les jubilations fugitives, ils trouvent leur meilleure expression avec son second recueil de poèmes, Balés (Ballets), portrait doux-amer d’une jeunesse qui a tourné le dos aux grands projets de vie.

Written by bb

March 1, 2010 at 3:45 pm

REVOLUÇÃO ÍNTIMA

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Eu acho que nenhum retorno pode representar uma alegria superior a de receber um e-mail de uma professora do primário que marcou minha formação, e que eu não via desde que 1993 acabou, dizendo que hoje ela dá aulas de literatura na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, e que levou A fila pras aulas que deu de poesia contemporânea.

Isso já bastaria.

Por ela ter lembrado de mim. Por ser alguém que me mostrou várias coisas das quais me lembro até hoje. Porque agora ela tá estudando, com outros alunos, dezoito anos depois de nossas aulas, o que eu escrevi. Por ser uma nova geração de leitores. Pela poesia sendo lida enquanto é feita. Porque chegar num colégio público da Maré, aos 25, é muito mais legal do que chegar ao Sion depois de morta.

Mas, além de tudo isso, ela disse que o livro foi sucesso e furor entre os alunos. E agora eu quero ir lá falar com eles.

Written by bb

January 8, 2010 at 1:16 pm