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Os Paqueras

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Cresci ouvindo uma denominação que até hoje não sei se minha família criou ou se era uma expressão comum aos jovens que frequentavam os mesmos lugares que meus pais e tios na época: música do parque.

Durante muito tempo imaginei que o que qualificava uma música como do parque era o fato dessa música já ter tocado algumas vezes no parque, mesmo sem entender muito bem em que circunstâncias se ouvia música no parque.

A cada ano que passava eu recebia um novo detalhe que dava à expressão mais clareza: antigamente, nos subúrbios e interiores, era comum ir ao parque. De diversões, precisamente. Aquele com roda gigante, maçã do amor e bola de meia. Nunca mais vi.

E aí os parques, assim como os circos, eram as grandes atrações dos bairros que não ofereciam nenhum tipo de entretenimento. Para passear era preciso “ir a cidade”. Minha mãe diz que era ou ir ao parque ou passear no cemitério. Duas opções.

Obviamente o parque era o destino favorito das turmas, da paquera e dos casais de namorados. É dessa mesma época outra expressão que não se usa mais: namorar escondido.

Pois bem, estando no parque, havia uma trilha sonora que alguém indefinido escolhia pra tocar em todas as caixonas de som espalhadas pelo grande terreno de barro. Uma mistura de rádio e DJ, coletânea de emoções juvenis.

Mas, as mais tocadas eram sempre escolhidas e dedicadas num estilo correio amoroso: uma pessoa escolhia uma música e mandava dedicar “pra garota de vestido de vermelho que está em pé na barraca de milho”. Ou então, “Valtinho da Rua Tal dedica tal música para o amor de sua vida. E por aí vai. Uma Antena 1 FM só que LIVE.

E como estar no parque era sempre um evento – dessas sensações que, pelo que vejo no jeito como minhas tias contam, a gente tem poucas vezes na vida mas nunca esquece  –  tudo que tocou um dia no parque marca até hoje.

Ouvi essas músicas a vida inteira, e mesmo sem ter vivido esses momentos, purezas provincianas que despertam mim um estranho encanto, a vontade que me dá todas as vezes que lembro dessas histórias é de ter um parque.

E como provavelmente nunca vou ter um parque, pedi pro meu pai e minha mãe fazerem uma coletânea das 10 mais. Eles apareceram com as 20 mais, eu organizei e dividi em dois volumes.

Agradeço também a contribuição da Parê, minha vó do breu, que até chorou relembrando as canções.

Músicas do Parque Volume 1

1. Vem me ajudar – The Fevers
2. O Pão – Sérgio Murillo
3. A Desconhecida – Fernando Mendes
4. Ah! Como eu te amo – Dori Edson
5. Coração de Papel – The Silver Boys
6. Escreva-me – Marcos Roberto
7. Tema Para Jovens Enamorados – The Jet Black`s
8. Coisinha Estúpida – Leno e Lillian
9. Roda Gigante – Arthurzinho
10. Gatinha Manhosa – Erasmo Carlos
11. Era Domingo – Reginaldo Rossi
12. Ternura – Wanderléia e The Youngsters
13. Stella – Cauby Peixoto
14. Ninguém vai tirar você de mim – Roberto Carlos

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Se vocês curtirem eu subo o volume 2. Atualizado: músicas do parque 2 aqui.

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Conheça também a CORAÇÃO ROLOU NO LIXO – O COMPACTO DISCO

Written by bb

July 14, 2010 at 12:05 am

8 Responses

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  1. TERNURA (L)

    wakabara

    July 14, 2010 at 3:50 am

  2. o texto tá lindo lindo! vou baixar e depois te conto como foi meu parque!

    :]

    nandaobregon

    July 14, 2010 at 3:59 am

  3. genial!

    luanavignon

    July 14, 2010 at 1:23 pm

  4. Pode subir, xerém.

    Xheroza

    July 14, 2010 at 1:50 pm

  5. sensacional, brunão, já tá rolando no repeat! ♥

    dani.

    July 14, 2010 at 3:40 pm

  6. esperando o final do download já com as mãos suadas

    letuce

    July 16, 2010 at 5:27 pm

  7. […] ao desestabilizante abalo tectônico causado nos corações acalorados com a estimada coletâenea Músicas do Parque Volume 1, está no ar na grande nuvem da rede mundial de […]

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