mídias virgens & condessa buffet

nuvenzinha, somatório de vigores, sementério de notícias, melancoriza e dengo

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Amor e seu tempo

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.

Carlos Drummond de Andrade

Written by bb

January 27, 2010 at 1:00 am

Posted in altarzinho

One Response

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  1. Quando se lê Drummond acho que não resta nenhuma palavra que seja suficiente pra se comentar a respeito. Seu texto já é lição fechada e a aprende só quem pode sentir, mesmo quando não a entende.
    Este é o Drummond, tão mimeiro quanto o ar que eu respiro.
    Ele, o poeta de Itabira.
    Eu, o blogueiro de Espera Feliz.
    Ótima escolha sua, Bruna.
    Magnífico este poema.
    Abraços.

    Farley Rocha

    January 27, 2010 at 1:17 am


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