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A vó do cu é a maionese

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Durante séculos, a situação da escrita foi de tal ordem que a um reduzido número de escritores correspondia um número de vários milhares de leitores [só na Europa]. No início final do século passado verificou-se uma mudança nesta situação. Com a crescente expansão da imprensa INTERWEBS, que proporcionava aos leitores cada vez mais órgãos locais políticos, religiosos, científicos e profissionais INFORMAÇÃO e ESPAÇO VIRTUAL, uma parte cada vez maior dos leitores começou por, de início ocasionalmente, passar a escrever E A PUBLICAR LITERATURA E POESIA NA INTERWEBS.

Tudo isto começou com a imprensa diária a abrir aos leitores o seu “correio” o blog, e actualmente a situação é tal que quase não deve haver um europeu, inserido no mundo do trabalho uma só pessoa, que não tenha tido possibilidade de publicar uma experiência laboral, uma reclamação, uma reportagem, ou algo afim um blog ou qualquer variação dele.

Assim, a diferença entre autor e público está prestes a perder o seu carácter fundamental Esta diferença torna-se funcional, podendo variar de caso para caso [é o que também tenta esclarecer o cc]. O leitor está sempre pronto a tomar-se um escritor.

[AGORA VOU MUDAR O CAMINHO DA PROSA DO BENJA] Com a crescente especialização do trabalho COM INTERWEBS, todos os indivíduos tiveram de se tornar, voluntária ou involuntariamente, VICIADOS E especialistas numa dada área EM REDES (ou MÍDIAS) SOCIAIS, ainda que num sentido menor, assim tendo acesso à condição de autor ator.

O Benjamim disse isso daí [e eu rasurei atualizando] em 36. Pouquíssimo tempo depois, em 68, o Barthes já tava declarando a morte do autor, esse ESPECIALISTA, e dizia logo de cara que O autor é uma personagem moderna, produzida sem dúvida pela nossa sociedade, na medida em que, ao terminar a Idade Média, com o empirismo inglês, o racionalismo francês e a fé pessoal da Reforma E A AUTO-AJUDA, ela descobriu o prestígio pessoal do indivíduo ou como se diz mais nobremente, da «pessoa humana» do hype.

E a pergunta que não quer calar é: quando você lida com direito autoral, mais conhecido como o imposto que você paga (o que você recebe é insanamente desproporcional) pelo que é seu, você tem a sensação de estar sendo roubado?

Pensemos.

Ou soneguemos.

//

Mais referências sobre o título deste post.

Written by bb

February 19, 2009 at 3:32 pm

Posted in instruindo o psit

5 Responses

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  1. muito lúcida, bb

    zani

    February 19, 2009 at 4:57 pm

  2. Acho que estamos pertos da morte dos nomes, e “autor” é um deles.

    joao~grando

    February 19, 2009 at 7:10 pm

  3. Minha gênia!

    Ricardo Silveira

    February 19, 2009 at 7:25 pm

  4. Pra botar pimenta no acarajé:

    “De momento, naquilo a que chamamos globalmente um comentário, quero limitar-me a indicar que o desnível entre o texto primeiro e o texto segundo desempenha dois papéis solidários. Por um lado, permite construir (e indefinidamente) novos discursos: o pendor do discurso primeiro, a sua permanência, o seu estatuto de discurso sempre reactualizável, o sentido múltiplo ou escondido de que ele passa por ser o detentor, a reserva ou a riqueza essencial que lhe são atribuídas, tudo isso funda uma possibilidade aberta de falar. Mas por outro lado, quaisquer que sejam as técnicas usadas, o comentário não tem outro papel senão o de dizer finalmente aquilo que estava silenciosamente articulado no texto primeiro. O comentário deve, num paradoxo que ele desloca sempre mas de que nunca se livra, dizer pela primeira vez aquilo que já tinha sido dito entretanto, e repetir incansavelmente aquilo que, porém, nunca tinha sido dito (…) O comentário, ao dar conta das circunstâncias do discurso, exorciza o acaso do discurso: em relação ao texto, ele permite dizer outra coisa, mas com a condição de que seja esse mesmo texto a ser dito e de certa forma realizado (…)O novo não está naquilo que é dito, mas no acontecimento do seu retorno.”

    Michel Foucault, A ordem do discurso, 1970.

    E agora temos o conceito de Web 2.0

    e

    a fotológ-ica.

    Ramon Alcântara

    February 19, 2009 at 8:45 pm


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