mídias virgens & condessa buffet

nuvenzinha, somatório de vigores, sementério de notícias, melancoriza e dengo

Gulla

with one comment

Meu poema
é um tumulto:
a fala
que nele fala
outras vozes
arrasta em alarido.

estamos todos nós
cheios de vozes
que o mais das vezes
mal cabem em nossa voz

se dizes pêra
acende-se um clarão
um rastilho
de tardes e açucares
ou
se azul disseres
pode ser que se agite
o Egeu
em tuas glândulas

A água que ouviste
num soneto de Rilke
os ínfimos
rumores no capim
o sabor
do hortelã
essa alegria

A boca fria
da moça
o maruim na poça
a hemorragia da manhã

Tudo isso em ti
se deposita
e cala.
Até que de repente
um susto
ou uma ventania
(que o poema dispara)
chama
esses fosseis à fala.

Meu poema
é um tumulto, um alarido:
basta apurar o ouvido.

::

[ Muitas vozes do livro Muitas vozes – Ferreira Gullar]

Written by bb

January 7, 2009 at 4:09 pm

Posted in altarzinho, pooemas, pureza

One Response

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  1. Muitos amigos me falaram muito bem do seu blog. Então vim conferir de perto. Simplesmente adorei.
    Abraços

    Vandia Alves

    January 15, 2009 at 8:27 pm


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