mídias virgens & condessa buffet

nuvenzinha, somatório de vigores, sementério de notícias, melancoriza e dengo

notas

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Creio que nossa idéia de as palavras serem uma simples álgebra de símbolos vem dos dicionários. Não quero ser ingrato com os dicionários – minha leitura favorita seria o dr. Johnson, o dr. Skeat e aquele autor conjunto, o Shorter Oxford. Acho, porém, que o fato de termos longos catálogos de palavras e explicações nos faz pensar que as explicações esgotam as palavras, e que qualquer uma dessas moedas, dessas palavras, pode ser trocada por outra. Mas acho que sabemos – e o poeta há de sentir – que toda palavra subsiste por si mesma, que cada palavra é única. E essa sensação nos vem quando um escritor emprega uma palavra pouco conhecida. Por exemplo, achamos a palavra “sedulous” (afinco) um tanto afetada, embora interessante. Porém quando Stevenson – de novo o saúdo – escreveu “played the sedulous ape to Hazlitt” [macaqueou Hazlitt com afinco], de súbito a palavra ganha vida. Assim, essa teoria (não é minha, claro – tenho certeza de que pode ser encontrada em outros autores), essa idéia de as palavras começarem como mágica e serem reconduzidas à mágica pela poesia, é, a meu ver, verdadeira.

(…)

Jorge Luis Borges in Esse Ofício do Verso

(…)

E aqui o Garoto Maravilhoso em Batimentos da Máquina, uma de suas colagens sonoras que mais curto.

Written by bb

January 6, 2009 at 1:20 pm

Posted in altarzinho, peumas09

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