mídias virgens & condessa buffet

nuvenzinha, somatório de vigores, sementério de notícias, melancoriza e dengo

Archive for October 2008

PRÊMIO QUEM – LITERATURA

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Written by bb

October 31, 2008 at 6:07 pm

atchim

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Foto: Fred Leal


Written by bb

October 31, 2008 at 12:31 am

Posted in puemaszeruoito

O negão do Leblão

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To ansiosa pro disco todo do Qinho: “as voltas”, “versos não” e “vice versa” já são preferidas.

Aliás, “vice versa” é a mais foda.

Me lembra os grandes hits choramingosos do Raça Negra. Tenho quase tudo em vinil. As capas são todas iguais – foto da banda (em pé ou sentada), o logotipo com letras de forma daquelas que a gente fazia cartazes no colégio coloridas com o preenchimento arco-íris do WordArt – e todos os discos têm o mesmo nome.

Posso Imaginar a versão dela feita por eles: a lingüinha Cazuza do vocalista Luiz Calos dizendo “amo vossssê”, o Gabu, aquele careca lustroso, acompanhando no pandeiro, e todo o resto da banda fazendo o baile no passinho pralá e pracá com carinhas de ternura verdadeira dos pagodeiros tru.

O Qinho, por cima, tem a feminice do Ney Matogrosso, o tom pureza dos solitários apaixonados ao violão, a alma cheia de luaus, a malemolência do Tunai e mistura, lá no meio, o peito aberto dos malditos com Caetano Veloso na onda Peninha e Sandra de Sá quando ainda não tinha a preposição “de” no meio. Adoro.

quero te dizeeeer
te vejo em meu olhaaar
canto pra você
entender o que é que háaaaa

o que é que há aquiiii
dentro do meu caminhaaaar
caminho até você
quero te mostraaaar

eu
eu
eu
eu
amo você.

Written by bb

October 30, 2008 at 11:29 pm

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AS 7NOIVAS LANÇAM: AMADAMANTE

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Written by bb

October 30, 2008 at 8:20 pm

Alô, paixão

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Vocês sabiam que os versos

Você tem o aroma das rosas/ Me envolve em teu cheiro/ E assim faz ninar/ A imensa vontade de estar/ Ao seu lado./ Nem o mar/Tem o brilho encantante/ Como o dos seus olhos/ Minha Pedra Rara

que estão no clássico BELEZA RARA, da BANDA EVA ainda com Ivetão Sangalo, são versos do Pablo Neruda?

NEM O MAR TEM O BRILHO ENCANTANTE COMO O DOS SEUS OLHOS

Sabiam?

Não são, mas poderiam ser. São do ED GRANDÃO.

Written by bb

October 29, 2008 at 1:12 pm

Adverbiamento sentimentoso

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To passando os melhores momentos do mundo lendo a trilogia Os Condendos, do Oswald de Andrade. Passei nervoso semelhante lendo Serafim Ponte-grande e Memórias Sentimentais de João Miramar, mas Alma, seu primeiro romance e parte I da trilhogia, é tão maravilhosamente arrebatador, fascinantemente mágico, enormemente insano e poeticamente desencontrado que não parece que estou só lendo, mas sim ouvindo. Tenho vontade de lê-lo alto, é um leitura cruel de se fazer em silêncio. Mas, quando damos voz a algum texto sempre corremos o risco do resultado ser algo como o Primeiro Testamento segundo Cid Moreira para folhetos de jornal popular, então prefiro trascrever um trecho:

::

João do Carmo aproximou-se, no sereno da noite, para receber a resposta de sua ousada carta. Continha a felicidade dentro do peito musculoso de nadador; segurava-a como um pássaro vivo. Ela estava ali, pálida silhueta, esperando-o. Imobilizava pupilas verdes de veludo e cristal na moldura das grandes alvas súplices.
Ele continha a felicidade dentro do peito musculoso de nadador, segurava-a como um pássaro vivo.
Interpelou-a, entregando-se todo, passando-lhe pelas grades, numa oferenda física, os olhos e o peito que badalava.

Mas uma punhalada certa alcançou-lhe o coração confiante. O moleque Bastião entrou da rua. Ela dissera-lhe que tinha outro amor. Ficara conversando. Pareceu-lhe ver o cão achegar-se latindo. Pareceu-lhe vê-la ir para dentro.

Caminhou na direção do seu quarto. Recordava o diálogo. Ela dissera que preferia o outro porque ele a amava por vício. Ele gritara estranguladamente que não. Era do fundo do coração que a queria.

Acendeu a lâmpada elétrica. Sentia-se só no seu naufrágio. Sentara-se. Depois ergueu-se com um grito apenas sufocado. Andou. Repetiu com os punhos amarrados versos.

Sentiu que qualquer coisa ria horrivelmente de si, da sua situação de telegrafista, do seu crédulo romance, dos seus grossos músculos inúteis.

Chegou-se a janela num confuso palavrório mental, onde havia muito destino, muita pesquisa do eterno coração das mulheres.

Encostou a cabeça à vidraça fria. E, da rua, subiu-lhe às têmporas, pelos ouvidos, uma vaia infinita de gritos.

Saiu. Pela avenida, sob os bicos de gás e as árvores espaçadas, ia declamando todos os versos altivos que sabia. Recitava Bouilhet:

Tu n’as jamais été, dans tes jours lês plus rares
Qu’um banal instrument  sous mon mon archet vainqueur
Et, comme un air sonne au bois cruex des guitars
J’ai fait chanter mon rêve au vide de ton couer

Descia desencontradamente para a Ponte-Grande. Largá-la-ia. Revelara-se de uma perversão inacreditável.

Terrível, lancinante, gritava pela Avenida Tiradentes.

Chegou à ponte. Havia gente parada. O rio, grosso e noturno, rodava. E ele ficou chorando baixo, ao grande ar do parapeito, entre lampiões.

::

Ninguém sofre bonito como antigamente, à luz de lampiões. Em 22, a lâmpada ainda era novidade, era lâmpada elétrica, e as pessoas nadavam no Tietê. Mas SILHETA e SÚPLICES vão ser eternamente palavras difíceis e lindas. E ainda posso ouvir, terrível e lancinante, os gritos pela Avenida Tiradentes estremecendo a Pinacoteca do Estado. Ah, São Paulo, cheguei tarde.

Written by bb

October 28, 2008 at 12:12 am

Alvorada II

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Em resposta a TEORIA DOS LIMPADORES DE PÁRA-BRISA, a Malg comentou sobre a TEORIA DA BACIA:

“Trata-se de uma simples aplicação de leis elementares da Física a relacionamentos amorosos. Imaginem vocês uma bacia cheia d’água. Dela se aproxima um Elemento A que, abruptamente, tentar puxar, com as mãos, a bacia com a água para junto de si. O Elemento A consegue a bacia, porém, a água, seguindo o princípio fundamental da Física, vai para o lado oposto, afastando-se do Elemento A.

Imaginem agora outro elemento, chamemos de Sujeito B, que também se aproxima da mesma bacia e, ao invés de tentar trazê-la para perto, disfere um potente chute tentando mandar a bacia cheia d’água para longe dele. Assim como ocorrera com o Elemento A, o Sujeito B consegue realizar apenas parte de seu objetivo, já que a bacia vai para longe, mas a água, devido à força do chute, volta contra ele, molhando o seu estimado corpo.”

Written by bb

October 27, 2008 at 1:35 pm