TINETA
Mais uma cançãozinha em parceria-pureza com o Risos, gravada ontem num parq de Lisboa com a ajuda do FORTUITO.
qué es un estetoscopio
Traduções do Sergio Ernesto Ríos para uma antologia mexicana de poetas brasileiros nascidos nos oitenta a ser lançada embreve.
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aretes
el miedo amarillea
los dientes corroe
todas las tentativas
de nombrarlo
nada nos asegura
ni nadie podrá
defendernos: estamos vivos
y si del paraíso estamos lejos
cada vez más lejos quiero vivir
distante, muy distante
de lo que sólo es posible en el papel.
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(trident) sandía
ríe y llega
de su sonrisa
la frescura de la lavandería
a perfumar el humo
del cigarro
15% la humedad relativa del aire
hago fiesta
9 grados sin chamarra
caos aéreo
tchup tchup tchuru
tu sonrisa lija
la tinta negra
de la mía.
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saison en enfer
mlle verlaine
va con extraños
como van los niños
a perturbar médicos
para saber qué es
un estetoscopio
mlle verlaine
me ama infinito
como aman los niños
pero no me quiere ver
ni en pintura
de Londres en 1872
quiere verme durmiendo
dulce
debajo de la tierra.
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Situación
estoy durmiendo en el lodo
de la zanja confortable donde duermen
los enamorados
y lamiendo jabón de perro,
sonriendo, sintiendo aroma de manzana
donde no hay
llamando a los amigos para comer
y dejando la comida enfriar
para hablar de ti.
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NEIGHBORHOODS
si el mundo no fuera
ese vertedero de
máquinas
barbas
pilas
débitos
plazos
y plumones
marca-texto
miedos
dudas
y embalajes
tetrapak
si el mundo no fuera
un vertedero de pendejos
o si el mundo no fuera
un abarcador
y resumido
vertedero de sinónimos
y si esa calle
si esa calle
fuera la tuya
yo me mudaría allá.
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365 poemas a 1 real
A Fundação Badtrip de Amparo ao Psicodélico colocou no ar ontem o blog 365 POEMAS A 1 REAL.
O idealizador do projeto, Fred Leal, declarou nesta madrugada:
Descolamos R$ 365,00 pra fazer esse blog. E nem foi via Lei Rouanet, descolei a grana com a minha avó, que concordou em se tornar um mecenas da poesia para o século XXI. Assim, dividi entre a galera da FUBAP e vamos todos gastar essa grana parcimoniosamente ao longo do ano, no intuito de divulgar a nova produção poética nacional.
Sem dúvida, Fred Leal confirma mais uma vez que é um homem de visão.
Assim como Olga Leal, sua avó, que faz o melhor sorvete caseiro da região metropolitana do Rio de Janeiro, o internacionalmente conhecido: OLGA BON.
Enquanto esta bela ideia nascia, eu babava em meu leito vitoriano, acordo hoje e para minha honra, a estreia do projeto é com um poema meu, do Balés, o Dirígivel do Amor, interpretado pelo próprio Fred:
O segundo da série é de Alice Sant’Anna, mandem seus videos, pelo futuro da poesia independente.
Descubraqui como particupar.
IPHAN
Quem tem avó tem patrimônio. Café de vó, bolo de vó, colo de vó, cafuné de vó, voz de vó, cheirinho de vó. Falo das minhas, vasteza de delícias. Ter avó é melhor do que ter numa mesma casa – porque quem tem avó tem casa não tem apartamento – varanda, quintal, árvore, bicho, poço e janelas grandes com boa entrada de luz. É o que penso quando deito nelas, o mundo para um pouquinho, um carinho forte e antigo, de onde será que vem? E quando elas me olham seus olhos são quatro compotas de doce de leite fresquinho dizendo Come mais, comeu muito pouco, anda, dá o prato aqui. E depois disso tirar um ronco em suas camas, as mais macias da paróquia, acordar com serenidade de índio e tomar um café quentinho. Bom assim. Ter avós. Melhor herança. Patrimônio. Bem da humanidade. Quero ser mãe só pra ser avó.
ANOTA ESSE NOME
Já faz alguns meses tenho pensado muito sobre o papel 40kg.
Aquele parente esquecido da cartolina, o primo arquiteto do papel almaço.
Mas, quem é que nunca esteve ao lado de um, com cara sabida, alertando a turma inteira sobre os perigos da AIDS?
Pouca gente se lembra dele, menos gente ainda se lembra do seu nome, quase ninguém é capaz de associar o nome ao objeto e apenas 1% da população sabe o porquê do nome PAPEL 40 QUILOS. Para tal o amigo internauta por favor acesse.
Inconformada com este descaso, esta falta de memória ou esta simples falta de referência imperdoável, num dia como hoje de engarrafamento como todos na cidade de çampaulo, resolvi lançar um sms para alguns amigos com os seguintes DIZERES:
“é preciso sempre lembrar: do papel 40kg, saudades”
Muita gente se comoveu antes das 10 da manhã. Seguem algumas respostas:
Keli: ja comprei seu presente. vai comprar o meu.
Leca: Papel? 40kg? Bjsssssssssssss
Fernanda: Desculpa… meu celular tá meio ruim, quem é?
Luiza: eh sempre preciso lembrar de: geladeira.
Leandro: tu ta fazendo piada com o meu peso?
Daniel: WEB: grande papel 40kg. Na primeira compra achava que não conseguiria carregar. Tudo é ilusão, especialmente o peso de algumas coisas.
João: O que é papel 40kg, por deus?
Carulina: Saudade também, pequení. Sem lobby. Beijo.
Luana: papel 40kg assa a bunda. Saudade e saúde.
Domingos: 400kg de saudade. Beijão patroa!
Alice: Papel 40kg? Me refresca a memória? Saudade também, amei nosso jantar
Letícia: aaaaaaah <3. engraçado que acordei com a sua mensagem.
Mariano: Porra essa de papel mulé? Higiênico?
A única moral que podemos tirar desta fábula é: diga a seus amigos, numa manhã comercial, que você está com saudades de algum item afetivo da sua infância e eles vão entender automaticamente que você tá com saudade deles. O dia de todos os envolvidos foi diferente, inclusive o seu, que ainda não sabe o que é um papel 40kg.
friday night alone in the library reading nietzsche
sad things are beautiful only from a distance
therefore you just want to get away from them
from a distance of one hundred and thirty years
you can call the second half of someone’s life ‘mental breakdown and death’
i’m going to distance myself until the world is beautiful
sylvia plath is going distance herself from wry detachment
until she is accepted by the establishment
but if you forget how to be happy, uh,
therefore you cannot be happy anymore
and a pecan is a kind of nut that can make me cry
if i’m already sad about something else
but if i am really in love with things from a distance only
i’m going to get away from the first half of my life
if you are trying to get meaning from this poem
i am tired of living; if i really want to go back to school
therefore sylvia plath forgot how to create enormous distances
but i’m going to distance myself from this poem
and create an enormous sentence that will kill you
it’ll be the syntax that kills you, later,
when your brain reverses itself
to justify the subjunctive, or something, i don’t know,
i’ll just punch your nose bone into your brain
and that will be what kills you
in court i’ll argue it was the syntax
my lawyer will kill the judge
and that will distract the judge
my lawyer is not really accepted by the establishment
the anti-establishment can make me cry
if i am already tired of life
my lawyer is not allowed to feel sad
until he stops eating animals
i’m going to get away until someone thinks i’m beautiful
i am finally in love with this poem
i’m going to memorize it, i guess
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Do THIS EMOTION WAS A LITTLE E-BOOK, do Tao Lin, mais um duent mental gênio da rassa.
Autor também de YOU ARE A LITTLE BIT HAPPIER THAN I AM (2006) e E EEEEE EEEE (2007).
Sai de casa e vem comigo para a rua
E foi divulgado o PRÊMIO CONDESSA ENAMORADA de melhor video, nome de álbum e canssão de feberero.
Ana BACALHAU é quem canta, uma linda Joelma.
A banda se chama DEOLINDA.
E o álbum DOIS SELOS E UM CARIMBO.
Pureza ofrecida pela SEREIA.
MELANCORIZA NA JANELA DO FUSCA
Retomo a série CARINHO COMPAQTO com as músicas que mais ouvi e curti na madrugadona das rádios do Hills enquanto ia e voltava com meus pais de e para Parada de Lucas, Coelho Neto, Ilha do Governador e Nilópolis.
A época é precisa: começa em 92, dois anos antes da construção da linha vermelha. Não estive jovem na construção de Brasília, mas andei muito de bicicleta numa parte terreno do onde depois construíram a viexpressa.
Dava de costas prum bairro que morei chamado LAGUNAS E DOURADOS (o monumento ao acontecido ironicamente fica na Urca). Minha primeira incursão como mestre de obras é que sempre passava por lá durante o processo pra verificar o andamento. Eu não sabia do que se tratava na época, mas anos depois percebi.
As músicas são maioria do final dos anos 80, os êxodos começaram em 92 mas e essa época não termina nunca porque essas músicas tocam até hoje, nos mesmos horários, se você refizer qualquer percusso desses. É a superação do jabá pela memória.
Na linha vermelha também vi a sombra (o espírito, a alma) de uma mulher nua correndo no meio da pista de madrugada e quase caindo no carro do meu pai. Não só eu vi, eles viram também. Ela sumiu depois. A teoria do meu pai é que provavelmente ela teria sido estuprada numa das favelas ali perto – Vila Ideal ou Lixão – e começou a correr pelada transtornada pra fugir. Jamais saberemos.
Tive que deixar muita coisa de fora porque só quis botar a primeira seleção que me veio na cabeça, assim na emossão.
LINHA VERMELHA – A MELANCOLIA INTERMUNICIPAL
1. Frisson – Tunai
2. Reluz – Marcos Sabino
3. A lua e eu – Hyldon
4. Cada um, cada um – Claudio Zoli
5. Aventura – Eduardo Dusek
6. Só pro meu prazer – Heróis da Resistência
7. Cheia de charme – Guilherme Arantes
8. Esquece e vem – Nico Rezende
9. Papel machê – João Bosco
10. Escândalos de luz – Affonsinho
11. Muito estranho – Dalto
REMEMORE COMIGO baixando.
RELÓGIO DE PONTO
Tudo que levamos a sério
torna-se amargo. Assim os jogos,
a poesia, todos os pássaros,
mais do que tudo: todo o amor.
De quando em quando faltaremos
a algum compromisso na Terra,
e atravessaremos os córregos
cheios de areia, após as chuvas.
Se alguma súbita alegria
retardar o nosso regresso,
um inesperado companheiro
marcará o nosso cartão.
Tudo que levamos a sério
torna-se amargo. Assim as faixas
da vitória, a própria vitória,
mais do que tudo: o próprio Céu.
De quando em quando faltaremos
a algum compromisso na Terra,
e lavaremos as pupilas
cegas com o verniz das estrelas.
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Alberto da Cunha Melo
guerra dentro
(…)
- Quer aprender a arte da guerra?
Sem esperar resposta, o velho disse:
- Esteja aqui amanhã, quando a cor da água do rio passar da cor da asa do estorninho para a cor do nenúfar.
O garoto foi pra casa, pensando: amanhã.
(…)
Manhã cedinho, à primeira luz e ao primeiro passarinho, o menino acordou e saiu devagar, todo mundo dormindo.
Lá estava o velho.
Caminhou até a ponte, aproximou-se do homem e disse:
- Estou pronto.
- Você não serve para a arte da guerra.
- O que foi que eu fiz de errado?
- Qual é o seu nome?
- Baita.
- Você não serve para a arte da guerra, Baita. Não te disse para estar aqui na hora em que a cor do rio passa da cor da asa do estorninho para a cor do nenúfar?
- Estorninho, eu sei o que é, meu pai me disse. Mas o que é nenúfar?
- Não interessa. Porém, se você ainda quiser aprender a arte da guerra, esteja aqui amanhã, quando a voz do vento deixar de dizer adeus e começar a dizer venha.
(…)
Paulo Leminski, Guerra dentro da gente. Editora Scipione, 2006



![Diário de Pernambuco [03.12.10] Diário de Pernambuco [03.12.10]](http://farm6.staticflickr.com/5127/5261924892_e11f40db5d_t.jpg)