Archive for the ‘pooemas’ Category
Quase fiz a piada do Você pinta… aqui no título
Orlando Pedroso, indicação do Fábio Moon e do Gabriel Bá na ENTER.
Aliás, sobrevoem a ENTER. Tá djélvis.
Daqui a pouco entra a nova versão, quando os indicados dos artistas selecionados na primeira leva mandam seus trabalhos e indicam outra pessoa.
Gulla
Meu poema
é um tumulto:
a fala
que nele fala
outras vozes
arrasta em alarido.
estamos todos nós
cheios de vozes
que o mais das vezes
mal cabem em nossa voz
se dizes pêra
acende-se um clarão
um rastilho
de tardes e açucares
ou
se azul disseres
pode ser que se agite
o Egeu
em tuas glândulas
A água que ouviste
num soneto de Rilke
os ínfimos
rumores no capim
o sabor
do hortelã
essa alegria
A boca fria
da moça
o maruim na poça
a hemorragia da manhã
Tudo isso em ti
se deposita
e cala.
Até que de repente
um susto
ou uma ventania
(que o poema dispara)
chama
esses fosseis à fala.
Meu poema
é um tumulto, um alarido:
basta apurar o ouvido.
::
[ Muitas vozes do livro Muitas vozes - Ferreira Gullar]
O. LIT. – ORQUESTRA LITERÁRIA
Como eu havia dito aqui, quarta e quinta agora tem TRANSFORMANCE* no Sesc Paulista às 21h digrassa.
* TRANSFORMANCE é um termo criado pela Sereia, minha musa blofa.
O Flávio Scott explicou melhor a proposta:
O. LIT. – ORQUESTRA LITERÁRIA em CONCERTO PARA VOZ & BASE ELETRÔNICA
(NA PROGRAMAÇÃO NA MOSTRA SESC DE ARTES 2008)
Projeto idealizado pelo escritor Paulo Scott, o “O. LIT. – ORQUESTRA LITERÁRIA”, consiste na pesquisa e seleção de textos de prosa e, sobretudo, de poesia, produzidos por autores brasileiros contemporâneos (como, por exemplo, Angélica Freitas, Antonio Cicero, Fabricio Carpinejar, Joca Reiners Terron, Mário Bortolotto, Marcelo Montenegro, Chacal, Cândido Rolim, Fabio Weintraub, Bruna Beber, Marcelino Freire, Fabrício Corsaletti, Xico Sá, Manoel Carlos Karam, Bruno Brum, Alice Sant’anna, Valério Oliveira, Ronaldo Bressane, Sergio Mello, Bruno Brum, Frank Jorge, Virna Teixeira), de modo a extrair trechos curtos do texto de um desses escritores (desde que não se descaracterize o seu estilo, a sua marca) para serem combinados com trechos extraídos de outros escritores e também a textos/fragmentos produzidos pelo próprio Paulo Scott especialmente para o projeto.
O resultado dessa combinação – desse concerto de proposições e origens variadas, está num conjunto de trinta e oito peças inéditas com duração de um a quatro minutos cada, executadas no palco por cinco pessoas: (a) Paulo Scott acumulando as funções de VJ e apresentador; (b) FLU (Flávio Santos), ex-baixista da banda Defalla, acumulando as funções de guitarra de ruído e distorções e teclado na execução de samplers e bases rítmicas; (c) Rodrigo Penna na leitura e execução de vozes pré-gravadas, mixando faixas com as vozes de alguns dos autores selecionados e gravações aleatórias realizadas em ambientes públicos; (d) Fernanda D’Umbra, leitura; (e) Simone Carvalho, leitura.
Há, como se pode constatar, proximidade com o processo de pesquisa e reordenação tradicionalmente executado pelos Disc Jockeys, que nas décadas de oitenta – segunda metade – e noventa do século XX alcançaram o status de compositores de músicas, renovando registros consagrados (e muitas vezes esquecidos), prestando-lhes homenagem e, por meio da combinação, criando uma peça inédita.
Mais do que uma amostra do que se produziu recentemente, no campo literário brasileiro, o O. LIT. é uma intervenção que busca evidenciar a qualidade da literatura brasileira, realçando o quanto é plausível misturá-la a outros meios, criando uma nova oralidade e uma nova relação entre as várias vozes desta geração de escritores nacionais.
Durante o espetáculo há projeções com imagens dos autores cujos trechos de textos foram selecionados e serviram para aquela peça especifica (a que está sendo executada naquele momento); haverá também palavras, frases e outras combinações gráficas – são dois projetores se alternando sobre a mesma tela (num esquema de mixagem também visual).
A intervenção denominada “Concerto Literário para Voz & Base Eletrônica”, que dura aproximadamente 45 (quarenta e cinco) minutos, estreará na Mostra SESC São Paulo de Artes 2008, nos dias 15 e 16 de outubro, 21 horas, no 15º andar do SESC Avenida Paulista (Avenida Paulista nº 119). Na abertura, a participação especial de João Gilberto Noll, que fará leitura de trecho de sua obra recente. Nos dois intervalos da intervenção, haverá as participações de Michel Laub, dia 15, Verônica Stigger, dia 16, Índigo, dia 15, e Tony Monti, dia 16.
tulipassé
Clipe do poema Caledônia Cage do Marofinha.
Video de Leon Vilhena
Vozes: Mariano Marovatto e Bruna Beber
Teclado: Ricardo Dias Gomes
Mar: Leblon, posto 12
O áudio não tá muito bom, mas dá pra ouvir melhor aqui
Poema
Aqui dá pra ouvir quantas vezes seu repeat suportar a faixa-tema de My Blueberry Nights, último filme do Wong Kar Wai e o primeiro em inglês, que ele mesmo definiu como “um ensaio sobre distâncias”.
Os abandonados Norah Veludinho Jones, Jude Gabriel Braga Nunes Law, Chan Cat Miau Patinho Lagarto Power, Rachel Sem Comentários Weisz e Natalie Loura Gostosa Jogadora Portman deixam o olho brilhando dias.
As cores, a torta, os lugares, a história das chaves, os diálogos doces e o beijo mais delicinha do cinema nos últimos meses. Um lindo poema curto, daquele tipo chorável baldes.
I don’t know how to begin
Cause the story has been told before
I will sing along i suppose
I guess it’s just how it goes
And now those sprangs in the air
I don’t go down anywhere
I guess it’s just how it goes
The stories have all been told before.
Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água, vou buscando uma morte de luz que me consuma.
García Lorca - Gazel da Fuga
poema urgente (todos são)
deve ser perigoso
esse gosto recorrente
de incêndio na boca
mas não há saliva pra apagar
e não há saliva que apague
por isso falo pouco
não sei o que de fato queima
fecho a boca e o fogo sai
pelo nariz
respiro mal, meu ar é qualquer fumaça
queria um gosto bom, queria pernas
pra sair correndo.
artigos pra presente
é muito grave fazer planos
pra amanhã, quando nem sei
o que comi ontem
quero agora ou pra viagem
um sino, que traga o ouvido atento
de um cachorro ao lado
da poltrona, um controle remoto
que me leve a um canal
que me faça dormir.
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aquilo que perifericamente nos cerca
o horizonte – a linguagem – o cabo
da boa esperança
nos situa
adiante
um palmo depois
dos sapatos.
poema cafuso eternamente em construção pras coincidências neolatinas
time (taime) é tempo
mas também pode ser time (equipe)
e (je) t’aime e vira eu te amo
entretanto
se time (taime) é tempo
timer (timer) também pode ser tempero
e não só cronômetro


