Archive for the ‘pençares meus’ Category
Nadar é pensar em nada
A música Chuvas de Verão, famosa na voz de José Augusto e já citada por aqui, é a única música do mundo que consegue ser uma síntese de metáforas com fenônomenos naturais, termos metereológicos e aula de biologia.
Sem contar a ambientação sonora com barulho de trovão e grilos. Poderia perfeitamente ser uma novela de rádio.
Acredito que não seja tão cênica só por se chamar Chuvas de Verão, pois a música homônima de Fernando Lobo demandou menos esforço para esclarecer que se tratava de coisa passageira.
Talvez a de José Augusto seja mais complexa porque não trata só de “um amor chuva de verão”, trata de “um amor de primavera em chuvas de verão”. É outra elaboração, mais complexa.
Vejamos:
Veio feito nuvem/ Numa ventania/
(…)
Sentimento alado/ Senti minar na pele/ Transpirar de leve
(…)
Revirei teu pólos/ Relâmpago e viril/
Rajada de vento/ Em beijos turbulentos seduziu
REFRÃO:
Navegar teus sonhos
Regar teus sentimentos
Orvalho de amor
Flor de pensamento
Iê Iê
Nuvem passageira
Inverno de paixão
Amor de primavera
Em chuvas de verão.
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Papo de Guiness Book.
LARVAS
Li há duas semanas num tumblr gringo da Interwebs um cara chamando atenção para o fato da palavra bed parecer, de fato, uma cama. E fiquei pasma: é uma cama. É bonita a percepção que algumas pessoas têm das palavras.
Afinal, não é novidade pra ninguém a força que algumas palavras têm. Algumas chamam a atenção quando lemos, outras quando ouvimos. Embora dê quase no mesmo já que quando você lê você ouve e você sente.
Acho que todos os nossos sentidos estão mancomunados a favor das palavras, todas as artes nasceram delas, então é justo. É mais justo ainda dar a elas o lugar que merecem: todos.
Outro dia comentei sobre CARRAPETA. Me peguei ouvindo e pronunciando CARRAPETA numa conversa e senti o efeito FOLGUEDO que a sapeca pode provocar nos ouvidos.
Mas ontem sofri choque maior ao ouvir EXORBITANTE. É claro que eu já tinha ouvido EXORBITANTE outras vezes, mas ontem o EXORBITANTE foi num tom dramático tão bem representado que eu me senti, de fato, atingida pela palavra.
Era como se ela tivesse saído num tiro da boca do Zé Miguel, provocando em mim um DESLOCAMENTO LINGÜÍSTICO-ESPACIAL. Fiquei tonta, girando em torno do meu ouvido. Enfim, exorbitei.
irmãos
O pepino e o melão são parecidos: no pouco gosto que têm, nas sementes com pelinha e na textura interna meio amarelada meio verde meio creme. Ambos têm um cheiro inexpressivo, e mesmo quando podres, são discretos.
expressões abomináveis II
“alinhar expectativas”
“startar um projeto”
“expertises fundamentais”
expressões abomináveis
“toque especial”
“passe de mágica”
“sem mais delongas”
fernandopessoazando
a saudade é intransitiva
não consigo transmiti-la
do jeito que sinto
nasceu sem par e não há
o que a complemente
a saudade rasga.
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Prus meus poucuuush e quiriiiduuush amiguuuush carióoocash


![Diário de Pernambuco [03.12.10] Diário de Pernambuco [03.12.10]](http://farm6.staticflickr.com/5127/5261924892_e11f40db5d_t.jpg)