Archive for the ‘péloras’ Category
anda
via o bom leão

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Mário de Andrade em A Costela do Grão Cão
Radinho de pilha
E hoje deixo vocês com “Don’t let me cry”, um lindo sucesso de 73, na voz de Mark Davis.
Mark Davis, pra quem não sabe, era o pseudônimo do Fábio Jr quando começou sua carreira e cantava em inglês.
Papelaction
Do Idéia Fixa, via @nutsjo, animação com papéis. Inacreditável.
Heebie Jeebies
Caterina Valente (deusa e musa) e Ella Fitzgerald numa batalha suave de scat singing.
E mesmo com todo o talento da primeira dama nessa área, a Caterina não ficava atrás. Aqui vocês podem ver que ela sabe fazer um gargarejo com Listerine como ninguém. Tem que clicar no vídeo e assistir direto no Youtube porque tem essa palhaçada de não poder embedar em outros lugares.
A voz da Ella não me emociona, sempre que ouço penso que se as vozes tivessem cheiro a dela teria cheiro de talco, mas não há como não curti-la fazendo freestyle.
Já a Caterina canta em tantos timbres e línguas diferentes que às vezes não dá pra saber que é ela. A música que eu queria publicar não achei, que é da vibe mais ESPANHOLA EM CHAMAS, então, só de pirraça fiquem com o extremoposto, que é Manhã de Carnaval com Luiz Bonfá. Aqui a palhaçada do embedar se repete, clica em cima dele então.
FUNABEM FEELINGS

Tava lembrando outro dia dos álbuns de figurinha que eu tive na infância. Não consigo lembrar de todos, mas lembro dos mais significativos:
1. Chaves: não completei por UMA figurinha. Era muito normal não completar um álbum por uma figurinha. Guardei por muitos anos, e lembro que um dia descobri que meu pai tinha jogado fora. Choro até hoje só de pensar. Mas ainda tenho algumas das figurinhas repetidas que sobraram. E obviamente NÃO vendo.
2. Os Trapalhões: era daqueles álbuns de banca de jornal, em papel vagabundo, que completando determinadas figuras você ganhava prêmios. Me lembro que, ironicamente, só consegui completar a figura do JOGO PARA PREPARAR CAIPIRINHA. Ele era de madeira e durou muito. Meu pai usava em todas as festas lá em casa. Que álbum infantil hoje tem um brinde de JOGO PARA PREPARAR CAIPIRINHA?
3. Cavaleiros do Zoodíaco: completei. Colecionei com o meu pai. Primeiro eu o eduquei a assistir o desenho, fazendo de tudo pra que ele se apaixonasse, e aí depois comprei o álbum. Resultado: ele virou o maníaco das figurinhas, de tanto que gostava do desenho, e trazia MUITAS figurinhas todos os dias. Imagina a EMOSSÃO.
4. Amar é…: minha mãe disse que comprou pra mim, mas quem colecionava era ela. Nunca achei muita graça nesse álbum. Nem ficava feliz quando minha mãe comprava figurinhas. Abandonei e quem terminou de colecionar foi minha tia mais nova. Anos mais tarde acho que ele voltou menos cafona, com cards até fofos.
5. Gang do Lixo: o álbum mais foda do mundo. O chefe da Gang era o Ike Nojo, o pantafaçudo acima, que estampava a capa do álbum. Me lembro que meus pais não quiseram comprar, alegavam que era muito asqueroso. Mas minha avó, que era muito bróder, comprou pra mim escondido.
Foi o álbum que eu mais amei na vida, e eu só conhecia um menino além de mim que tinha. Nunca fomos amigos porque ele era duma série a mais que eu. Ele foi expulso do colégio porque um dia teve um surto psicótico na hora do recreio e começou a berrar e correr e chutar TODOS os cascos de refrigerante que tinham no pátio. No final, com as canelas sangrando, ele olhou pra professora de Estudos Sociais e falou “vou te matar, sua piraaaaaaaaanha!”
Nunca tirei meu álbum da Gang do Lixo de casa porque tinha medo de perder. Mas até hoje não sei que fim deram nele. Há uns anos procurei infos dele nas Interwebs, mas nada achei. Hoje fui procurar de novo e achei outras pessoas que também amavam. Pra quem não lembra, dá pra saber a história do álbum e ver algumas das figurinhas aqui.
Décio Ralo, Jaques Brando, Boy Comida, Meio Punk, Nenem Tranhas, Dante Falante, Carlinhos Careta, Soldo Esgoto, Dida Linda, João Bolachão, Bat-Boca, Al Lixone e cia: saudades.
É O BICHO
Venho pedir abertamente, em meu nome e do Caju, que o Ricardo Chaves coloque no Youtube um vídeo ou um clipe, que não seja de show ou trio elétrico, de É O BICHO, seu grande hit.
Com isso queremos demonstrar nosso eterno apreço e exibir publicamente seu cantinho cativo no quentinho dos nossos corações pela autoria de um dos versos mais memoráveis do Axé Music dos anos 90:
É o bicho, é o bicho, vou te devorar, crocodilo eu sou.
[Passinho com os braços pra cima e pra baixo]
Estamos aguardando, Ricardo. E enquanto você não toma tal indispensável providência, segue o poema na íntegra:
Quando o vento bater no seu cabelo
E espalhar sua magia pelo ar
Ele vai me encontrar esperando
Que o destino revele, enfim
Os segredos que tem pra me contar
Há tanto tempo que eu te quero do meu lado
Nossos caminhos não haviam se cruzado
Meu coração bate mais forte na emoção de ter você pra mim
Aquele grito que era preso na garganta se transformou
e a nossa vibração é tanta
Cante comigo pra dizer a todo mundo que esse nosso amor
É o bicho é o bicho vou te devorar crocodilo eu sou.
ALUMBRAMENTO
com que frequência acontece o novo?/ acontece o novo? acontece?/
com que frequência acontece de novo? acontece de novo? acontece?/
eu sempre oscilei, eu nunca confirmei
minha presença, minha presença, minha presença/
se for pra viajar/ que seja voando/ que seja voando/ que seja/
mas se for pra voar/ que seja a pé/ que seja a pé/ que seja/
eu sempre duvidei, eu nunca precisei/
andar de mão dada, andar de mão dada, andar de mão dada/
sorte dos cavalos que deitam pra comer na sombra/
às vezes calha da escolha não falhar/ escolha não falhar, não falha/
às vezes rola do espaço não se espalhar, não se espalhar, palha/
eu te demoro porque eu quero/ não tenho medo do que eu espero:
andar de mão dada, andar de mão dada, andar de mão dada…
de mão dada, do lettuce, o show mais MEMÓRIA POÉTICA que eu assisti no últimos anos.
MACBETH
(…)
Às vezes tenho a sensação de que nada do que acontece acontece, porque nada acontece sem interrupção, nada perdura nem persevera nem se recorda incessantemente, e até a mais monótona e rotineira das existências vai se anulando e negando a si mesma em sua aparente repetição até que nada seja nada e ninguém seja ninguém que tenham sido antes, e a frágil roda do mundo é empurrada por desmemoriados que ouvem e vêem e sabem o que não se diz nem sucede nem é cognoscível nem comprovável. O que ocorre é idêntico ao que não ocorre, o que descartamos ou deixamos passar idêntico ao que não provamos, e no entanto vai-nos a vida e vai-se-nos a vida em escolher, em rejeitar e selecionar, em traçar uma linha que separe essas coisas que são idênticas e faça de nossa história uma história única que recordemos e possa ser contada. Dirigimos toda a nossa inteligência, os nossos sentidos e o nosso afã à tarefa de discernir o que será nivelado, ou já está, e por isso estamos cheios de arrependimentos e de ocasiões perdidas, de confirmações e reafirmações e ocasiões aproveitadas, quando o certo é que nada se afirma e tudo vai se perdendo. Ou talvez que nunca tenha havido nada.
(…)
Coração tão branco, Javier Marías – Cia das Letras, 2008
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