Archive for the ‘cronicidade’ Category
Metradivarius
Já pegaram o metrô novo da linha verde de Çampaulo?
Aquele que parece um ambulatório por dentro, é amplo, tem ar condicionado e acende as luzinhas conforme vão chegando as estações.
Mas, apesar de todos esses efeitos especiais, o que mais me chama a atenção é que toda vez que ele vem chegando na estação começa a tocar FAZ PARTE DO MEU SHOW, do Cazuza.
E como agora tem poemas espalhados em toda as estações – viva! – eu pensei, seilá, que era uma proposta diferente ter também música. Mas não consta que o Cazuza esteve envolvido em algum acidente férreo, então comecei a desconfiar da homenagem.
O que me intrigou primeiro é que é só o começo da música: um violino entrando manso porém estridentemente brilhante, que poderia também ser o aparecimento de uma faca num filme de suspense.
Aí vi que não, a música não ia se desenvolver nunca mesmo porque era só uma coincidência de metais e aços com memória poética auditiva.
Mas que é IGUAL, é.
Prestem atenção na música e depois vocês se lembrarão dela quando o metrô novinho chegar.
duPORRRRRRRRRTO
Eduardo Coelho assina desde outubro uma coluna mensal – A voz do Brasil – na revista portuguesa de literatura LER.
Na primeira, ele comenta sobre a ENTER, a polêmica do JP com a Argumento, o livro novo do Humberto Werneck, as publicações da antologia de Ruy Belo e de António Franco Alexandre no Brasil etc.
No blog tem uma boa parte da coluna, mas o navio quebrou e ainda não tenho em mãos a versão impressa.
Segue o trecho em que Eduardo diz apostar em mim e no Jura o trófeu que ganhou no Campeonato de Biribinha Para Jovens Piromaníacos de Nova Fruburgo, em 1952, e seu acervo completo da coleção Nossos Clássicos da primeira edição com notas de Alceu Amoroso Lima.
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Enter – antologia digital (http://www.oinstituto.org.br/enter/)
A antologia digital de Heloísa Buarque de Hollanda foi, sem qualquer dúvida, um dos acontecimentos do ano. Suas antologias são marcadas, desde os anos 1970, pela capacidade de antecipar os futuros ícones de cada gerações. Foi assim com as antologias anteriores, 26 poetas hoje e Esses poetas, ambas publicadas pela editora Aeroplano. Na primeira, dedicada à geração de 1970, temos nomes hoje incontestáveis como Ana Cristina Cesar, Antônio Carlos de Brito (Cacaso), Francisco Alvim e Waly Salomão, enquanto na segunda, dedicada à geração de 1990, estão, entre outros, Antonio Cicero, Arnaldo Antunes, Carlito Azevedo, Claudia Roquette-Pinto e Eucanaã Ferraz. Na novíssima antologia, o interesse foi ampliado: não apenas poetas, mas também cartunistas, ilustradores, contistas e letristas – todos pioneiros na divulgação de suas obras por meio da internet.
A originalidade da antologia não se restringe, contudo, ao grupo selecionado de artistas e obras: Enter é, por si mesmo, um livro digital, que não pretende, como de costume, se tornar um compêndio orgânico, a receber permanentemente novas peças. Além disso, há de se destacar que Heloísa Buarque recorreu a uma série de “instrumentos” que não funcionariam em papel: canções interpretadas pelos próprios compositores, links e vídeos com leitura de poemas, por exemplo. De certo modo, trata-se aqui do livro do “futuro”, repleto de novos recursos, que já atraíram repórteres de todo o mundo. Até a semana passada, Heloísa já tinha sido entrevistada por argentinos, franceses, norte-americanos, russos… todos interessados na nova antologia.
Entre os autores dessa antologia, Bruna Beber e Ismar Tirelli Neto despontam como os mais significativos da geração. A poesia de Bruna caracteriza-se por uma “dicção” sentimental, em diálogo franco com a música popular brasileira. Contudo, sua poética reduz a sentimentalidade ao mínimo gesto, à economia de palavras, ao ritmo às vezes sincopado e ao verso preponderantemente breve, de corte brusco, muitas vezes invadido por grande irreverência. A sentimentalidade então é descontruída e torna-se, dessa maneira, um campo engenhoso de experimentações formais. Já Tirelli Neto parece um artefato do cinema, capaz de criar variadas formas de representação. Seus poemas revelam um jogo cênico sofisticado, dramático e auto-irônico, a compor um sujeito desorientado diante dos conflitos: “precisamos de um plano. Um projeto. Um projétil”, afirma em “Rufus”, um de seus mais notáveis poemas. Se insistisse nas apostas que as antologias de Heloísa costumam provocar, as minhas fichas seriam lançadas nesses dois poetas.
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Shuffle, esse botão chamado DIRTINO
O único hábito que ainda não perdi é o de ouvir rádio. Para notícias e músicas, ele sempre me surpreende com um forrozinho gostoso de uma rádio comunitária ou com um mela-cueca desses que toca há 30 anos. Foi a ele, inclusive, que recorri no dia do apagão.
E no meio das mágoas que o jabá promove, gosto da surpresa de estar de passagem por uma estação e tocar uma música que eu adoro. Eu sei que as rádio repetem suas programações, mas quando uma música antiga e querida toca três vezes num espaço de duas semanas em duas rádios diferentes a gente pira.
É como apertar o shuffle no tocador e ele trazer AQUELA música NAQUELE momento. Seja ela um golpe ou um sopro. A diferença do suffle é que na maioria das vezes sabemos o que pode tocar, com exceção, é claro, das músicas que não lembramos mais que temos guardadas.
Dizem que algumas músicas, os livros que devemos ler e as pessoas têm um tempo certo pra chegar. E eu acho que elas usam um tipo semelhante e fatal de isca. Não deve mesmo existir acaso algum na vida, e a distração é o que movimenta grande parte do que é bom.
É prudentíssimo ignorar a apresentação em power point:
Partiu fritadinho
Baladinha, foto e papelão
Dia 19 começa a Balada Literária, eventão que o Marcelino armou e que a cada ano invade mais Çampaula. Quatro dias de programação na Livraria da Vila, Mercearia São Pedro, Ó do Borogodó e arredores.
Participo pela lateral na exposição de fotografias do Edson Kumasaka – Cara de Escritor – que vai ficar na Livraria da Vila e no Centro Cultural b_arco.
&
E o Coletivo Dulcinéia Catadora, versão brasileira da Eloísa Cartonera, lança seu mais recente exemplar de livrinho feito de papel reciclado e pintados a mão. Estou lá felicíssima com um conto inédito e convidoos:
Banho quente

Roma tá de blog, o bom leão, e Leprevão também voltou, agora com notas para um livro bonito.
No toca-fita do meu carro

O Saraiva Conteúdo me convidou para fazer uma coletânea de 10 músicas pra RÁDIO deles.
Então selecionei o que julgo e aprecio como AS 10 MAIS DO CANCIONEIRO CORAÇÃO DOÍDO PORÉM PURO DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA, também conhecido como brega.
Trata-se do suprassumo alegre da desilusão, um breve ENSAIO SOBRE A MÁGOA que assola o coração brasileiro desde que a capital do país passou a ser Brasília.
A coletânea já está no ar, chama-se CORAÇÃO ROLOU NO LIXO – O COMPACTO DISCO e contempla:
1. Evaldo Braga – Mentira
2. Adilson Ramos – Sonhar Contigo
3. Paulo Sérgio – Fujo de mim
4. Marcio Greick – Impossível acreditar que perdi você
5. Reginaldo Rossi – Desterro
6. Benito di Paula – Você vai ficar na saudade
7. Barto Galeno – Lembranças do Rei
8. Nelson Gonçalves – Naquela mesa
9. Paulo Diniz – Pingos de amor
10. José Augusto – Meu destino é você
Você pode ouvir AQUI.
Ouça também as seleções de Jaime Alem, Rodrigo Faour, Silvia Machete, Roberto Berliner, Alessandra Colasanti, Claudio Manoel, Matheus Souza, Mart`nália, José Alvarenga, Francisco Bosco, Ramon Mello, Sérgio Rodrigues e mais uma galera.
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E também pode baixar a VERSÃO ALARGADA, que contém também os seguintes sucessos:
_ Não se vá – Jane e Herondi
_ Eu não sou lixo – Evaldo Braga
_ Cadê Você – Odair José
_ De que vale ter tudo na vida – José Augusto
Da poltrona
Gravei essa entrevista pro site Saraiva Conteúdo num hotel em Ipanema quando fui ao Hills lançar o Balés. Ela vem desde lá de trás, da fila sem fim, o que se passou no meio, até hoje.
Era um dia sem sol e com muito trânsito, ultrapassamos o tempo de gravação, mas ainda deu tempo de fazer um ensaio com o Tomás Rangel, que vai ao ar em breve.
Câmera é sempre caplexo, mas vamae.
Entrevista: Marcio Debellian/ Fotografia: Stefan Kolumban Hess/ Edição: Luiza Moscoso/ Produção: Flávia Paulo/ Assistente de Câmera: Luiz Eduardo Richard
Em Brasília, dezenove horas
Ontem participei do programa Tempo de Letras, da Simone Magno, na Rádio CBN. Tem lá no site o áudio e no blog do programa a continuação da entrevista.
Foi engraçado ser entrevistada pela Simone Magno, uma das vozes que mais ouvi em 2002, quando comecei meu primeiro estágio da vida no setor de rádio de uma agência de clipping (q) lá na Glória.
Eu tava no primeiro ano da faculdade e tinha um programa na rádio do pátio. Um amigo meu viu essa vaga no CATHO ONLINE e me avisou. Em nenhum momento eu pensei no clipping, só pensei no RÁDIO, que eu amava.
Bom, aí fui: por incrível que pareça e não é mentira, o meu chefe se chamava HERÁDIO, um dos caras mais engraçados que já conheci em ambiente de trabalho. Ele me ensinou não só a mexer com TUDO relacionado a ÁUDIO, como me contou toda a história do rádio – ilustrada com canções – no mundo e no Brasil.
Minha tarefa lá era ouvir a CBN a tarde inteira – pavor de meia em meia hora com o REPÓRRRTERRR CBN – selecionar o que interessava pros clientes (Vale, Petrobras Aneel, Anatel etc), recuperar aquele áudio, decupá-lo, editá-lo, abençoá-lo, escrever o lead e subir pra página de clipping de cada cliente.
Lembro que ouvi a notícia da morte da Nina Simone e do Elliott Smith lá, em tardes alucinadas de tudo dando errado com o ramo petrolífero, as elétricas, o sound forge, a putaquepariu. Todo dia era meio caótico.
Saía de lá todo dia umas 21h porque tinha que fazer tudo isso também com A Voz da Brasil. Nessa época não tinha nem atabaques n`O Guarani. Esse robotismo durou um bom tempo, fiquei tão bem informada quanto maluca. E até hoje quando olho o relógio depois das 19h lembro que 19h30 é a hora das notícias do Poder Judiciário.
Caderno B [05.10.09]

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