Archive for April 2011
Um lugar mindinho meu
Gostaria de reviver a moda lançada por Roberta Miranda nos anos 90: pintar somenth o mindinho de vermelho. Close na mão esquerda:
Me pergunto por que tão nobre estilo se perdeu. Ou ainda: terá sido superstição? Promessa?
Pelo que me lembro, da estante de disco da minha avó, este não é o único disco no qual Roberta estampou este gracejo.
Jorge, conto com sua influência e kharisma.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::Atualizando com uma valiosa informação de Samcaçambao: “é a unha que o josé rico, da dupla milionário & josé rico, usa até hoje. Daí a saber quem influenciou quem (rs…)”.
Gent isto é muito chocante vamos averiguar.
Queu vo pra seu enterro, mizéra
(…)
Teotônio é que vivia na rua. Um dia, na Praia Vermelha, meteu-se numa aventura escandalosa. Andava às voltas com uma rapariga geniosa que, quando ele menos esperava, lhe desfechou uma porção de tiros, tomada de ciúmes. Os tiros falharam, porque a moça tinha má pontaria. Mas houve grande escândalo e um jornal qualquer publicou uma reportagem sensacional sobre o incidente. Teotônio procurou impedir que a notícia chegasse à sua casa, mas Dona Guiomar, naturalmente, acabou sabendo de tudo. Já estava ficando velha e tolerava todas as infidelidades e todos os abusos do marido. Daquela vez, porém, sentiu-se atingida pelo escândalo e desmoralizada pela infâmia de Teotônio:
— Você acha que devo me suicidar, Juju?
Formulou essa pergunta à filha mais velha no mesmo tom em que interrogaria a respeito do vestido com que tivesse de ir à missa.
— Ora essa, mamãe! Eu posso lá saber? A senhora é que sabe.
(…)
Velórios [1936], do Rodrigo M. F. de Andrade, a cada conto que termina só me lembra o melhor video do mundo:
Vai morrê palá você, disgrassa
montanha de pedras atiradas
O escritor tem de ser quatro pessoas.
1) O pirado, o obsédé
2) O idiota
3) O estilista
4) O crítico
1 fornece material; 2 deixa ser publicado; 3 é o gosto; 4 é a inteligência
Um grande escritor tem todos os quatro – mas é possível ser um bom escritor só com 1 e 2; são os mais importantes.
Diários [1947-1963], Susan Sontag
ROUPA COM CHEIRO DE MALA
Amelinha: por onde anda?
É o que me pergunto há algum tempo.
Grande poeta e intérprete de Fagner, Ednardo, Belchior, Walter Franco e Zé Ramalho.
Já que não tenho notícias, resolvi matar a saudade reunindo nove belas canssões de seu espólio.
Um espante este fruto do Ceará.
ROUPA COM CHEIRO DE MALA
Artista: Pequena Amelia
1. Ponta de espinho
2. Galope rasante
3. Dez mil dias
4. Frevo mulher
5. Flor da paisagem
6. Foi Deus que fez você
7. Santo e demônio
8. Dia branco
9. Divindade
ABAIXE se tiver corassão.
a vida é sonho a vida é sonho a vida é sonho
minha alegria
minha alegria permanece eternidades soterrada
e só sobe para a superfície
através dos tubos alquímicos
e não da causalidade natural.
ela é filha bastarda do desvio e da desgraça,
minha alegria:
um diamante gerado pela combustão,
como rescaldo final de um incêndio.
::
A poesia não tem lugar nobre pra acontecer. Não é só o mármore como os parnasianos, os cultores do monte parnaso pensavam. A poesia não tem só locais, ou materiais nobres, ela usa os mais diferentes materiais, não há vulgaridade pra ela, você pode restaurar, é um trabalho intenso, é um trabalho construtivista, não o construtivismo de 100 anos atrás, é um construtivismo dos nossos tempos, de quem está com olhos novos para o novo, com ouvidos abertos, e também com capacidade de ler diferentes tradições, não ficar ensimesmado, isolado.
::
Não suba o sapateiro além da sandália
- legisla a máxima latina.
Então que o sapateiro desça até a sola
Quando a sola se torna uma tela
Onde se exibe e se cola
A vida do asfalto embaixo
e em volta.
::
Waly Salomão de vários jeitos no Pan-cinema Permanente





![Diário de Pernambuco [03.12.10] Diário de Pernambuco [03.12.10]](http://farm6.staticflickr.com/5127/5261924892_e11f40db5d_t.jpg)