Archive for November 2009
Café com pão
Saiu uma resenha do Bonés no caderno Pensar do jornal O Estado de Minas desse sábado.
Esse garoto está me dando muita alegria.
Aqui para ler grande.
Morte do autor
(…)
Ah, mas eu acho ótimo fasilficar tudo e ninguém mais saber o que é verdadeiro, o que é falso. E aquilo que você compraria por 10 mil dólares você compra por 50 reais naquele africano que tá com aqueles cobertores no chão em todos os lugares do mundo vendendo. E você compra e ninguém sabe de mais nada. Eu acho ótimo pra acabar com essa história desse absurdo de bolsas de 10 mil, 15 mil dólares porque é da grife tal. Eu adoro. Eu só uso bolsa falsa.
Mas eu espero que essa fase do mundo passe. E que eu esteja viva pra ver outro mundo que não seja esse que a gente tá vivendo agora com essas coisas grifadas que todo mundo compra porque é Philippe Starck e etc etc etc, que eu não vou citar todos porque não precisa.
(…)
Day-o
Toda vez que almoço numa sala de reunião com a reunião rolando eu lembro dessa cena:
Receita para um dálmata
(ou: Soneto branco com bolinhas pretas)
Pegue um papel, ou uma parede, ou algo
que seja quase branco e bem vazio.
Amasse-o até que tome forma
de um animal: focinho, corpo, patas.
Em cada pata ponha muitas unhas
e em sua boca muitos dentes. (Caso
queira, pinte o focinho de qualquer
cor que pareça rosa). Atrás, na bunda,
ponha um fiapo nervoso: será seu
rabo. Pronto. Ou quase: deixe-o lá
fora e espere chover nanquim. Agora
dê grama ao bicho. Se ele rejeitar,
é dálmata. Se comer (e mugir)
é uma vaca que tens. Tente outra vez.
::
Gregorio Duvivier em A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora (7Letras, 2008)
Shuffle, esse botão chamado DIRTINO
O único hábito que ainda não perdi é o de ouvir rádio. Para notícias e músicas, ele sempre me surpreende com um forrozinho gostoso de uma rádio comunitária ou com um mela-cueca desses que toca há 30 anos. Foi a ele, inclusive, que recorri no dia do apagão.
E no meio das mágoas que o jabá promove, gosto da surpresa de estar de passagem por uma estação e tocar uma música que eu adoro. Eu sei que as rádio repetem suas programações, mas quando uma música antiga e querida toca três vezes num espaço de duas semanas em duas rádios diferentes a gente pira.
É como apertar o shuffle no tocador e ele trazer AQUELA música NAQUELE momento. Seja ela um golpe ou um sopro. A diferença do suffle é que na maioria das vezes sabemos o que pode tocar, com exceção, é claro, das músicas que não lembramos mais que temos guardadas.
Dizem que algumas músicas, os livros que devemos ler e as pessoas têm um tempo certo pra chegar. E eu acho que elas usam um tipo semelhante e fatal de isca. Não deve mesmo existir acaso algum na vida, e a distração é o que movimenta grande parte do que é bom.
É prudentíssimo ignorar a apresentação em power point:
Partiu fritadinho
Baladinha, foto e papelão
Dia 19 começa a Balada Literária, eventão que o Marcelino armou e que a cada ano invade mais Çampaula. Quatro dias de programação na Livraria da Vila, Mercearia São Pedro, Ó do Borogodó e arredores.
Participo pela lateral na exposição de fotografias do Edson Kumasaka – Cara de Escritor – que vai ficar na Livraria da Vila e no Centro Cultural b_arco.
&
E o Coletivo Dulcinéia Catadora, versão brasileira da Eloísa Cartonera, lança seu mais recente exemplar de livrinho feito de papel reciclado e pintados a mão. Estou lá felicíssima com um conto inédito e convidoos:
Revista Domingo – JB [15.11.09]

Matéria sobre novos autores brasileiros que saiu ontem na coluna da Heloisa Tolipan na revista Domingo do Jornal do Brasil: Alice Sant`Anna, Eduardo Baszczyn, Lara Gay, Michelly Barros Juliana Lohmann, eu, Ramon Mello, Emilio Fraia e Vanessa Barbara.
Subi os scans da matéria completa aqui.

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Mário de Andrade em A Costela do Grão Cão
Imaginário Cancioneiro Coletivo
A música I don’t Know what to do, faixa 3 do disco Break up, do Pete Yorn & Scarlett Johansson
Me lembra muitamente Coração de Papelão, que o Jairzinho e a Simony gravaram no disco dupla deles (áureos tempos) e que me fez chorar duzentas vezes as reservas de uma Itaipu na infância
Que é uma versão de Puppy Love, de The Osmonds, banda de Donny Osmond
E faz alusão e cita a famosa cantiga popular infantil Se essa rua fosse minha, da qual desconheço a origem, mas sei que já foi gravada até em formato samba pelo Mário Lago. Das versões mais emocionadas fico com a da Bethânia no Drama 30 ato, embora também goste muito na voz do Leandro e Leonardo.
É um lindo poeminha:
Se essa rua/Se essa rua fosse minha
Eu mandava/ Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas/ Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver/ Só pra ver meu bem passar
Nessa rua/ Nessa rua tem um bosque
Que se chama/ Que se chama solidão
Dentro dele/ Dentro dele mora um anjo
Que roubou/ Que roubou meu coração
Se eu roubei/ Se eu roubei teu coração
Tu roubaste/ Tu roubaste o meu também
Se eu roubei/ Se eu roubei teu coração
Foi porque/ Só porque te quero bem.



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