LARVAS
Li há duas semanas num tumblr gringo da Interwebs um cara chamando atenção para o fato da palavra bed parecer, de fato, uma cama. E fiquei pasma: é uma cama. É bonita a percepção que algumas pessoas têm das palavras.
Afinal, não é novidade pra ninguém a força que algumas palavras têm. Algumas chamam a atenção quando lemos, outras quando ouvimos. Embora dê quase no mesmo já que quando você lê você ouve e você sente.
Acho que todos os nossos sentidos estão mancomunados a favor das palavras, todas as artes nasceram delas, então é justo. É mais justo ainda dar a elas o lugar que merecem: todos.
Outro dia comentei sobre CARRAPETA. Me peguei ouvindo e pronunciando CARRAPETA numa conversa e senti o efeito FOLGUEDO que a sapeca pode provocar nos ouvidos.
Mas ontem sofri choque maior ao ouvir EXORBITANTE. É claro que eu já tinha ouvido EXORBITANTE outras vezes, mas ontem o EXORBITANTE foi num tom dramático tão bem representado que eu me senti, de fato, atingida pela palavra.
Era como se ela tivesse saído num tiro da boca do Zé Miguel, provocando em mim um DESLOCAMENTO LINGÜÍSTICO-ESPACIAL. Fiquei tonta, girando em torno do meu ouvido. Enfim, exorbitei.



pois é bruna, é o significante engolindo o significado…
fred girauta
July 1, 2009 at 8:26 pm
poisé, overreaction, nunca consigo passar incólome a esse fênomeno, que às vezes é só minha DUENSSA mentau supervalorizando a ESSÊNÇA
bb
July 1, 2009 at 8:49 pm
É o efeito do X: o X é sempre meio porta para outra coisa. Como no ex, ou no ex falado ÉCS. É tipo um PÓS mais foda.
Mas, embora seja uma coisa mistura de natural e artificial (meio invenção, meio instinto) a palavra não é o germe da parada toda: é a imagem. Acho. Exôdo.
joao~grando
July 2, 2009 at 1:41 pm
po, claro q é, a palavra é o começo de tudo
bb
July 2, 2009 at 3:01 pm