Não sei se tou mermo caducando, ou se a minha cabeça anda fazendo associações bizarras demais, mas lembrei do refrão daquela música do Pedro Luís & A Parede - Rap do Real - cantei e achei meio árabe:
um real aí é um real um real aí é um real aí é um real um real
Cantei mais rápido e me certifiquei. É mermo árabe.
Se a gente parar pra reparar, ladainhas de camelô, em geral, parecem sarau do alcorão. Deve ser porque árabe com meia dúzia de frases, se deixar, vende até a mãe. Ou deve ser porque ladainha é tudo igual. Mãe também.
Aí fiz uma viagem pelo Oriente na minha cabeça em 3 minutos e o que mais me emocionou de lembrar foi a moda do KHALED no Brasil e seu hit EL ARBI, do qual eu jurei ouvir muitas vezes “Guilhermiiii-guilhermi-i-i” do verso yana l’arbi.
Visto este panorama degringolado, lembrei dumas fitas com capas à la programa da ONU que meu pai me deu na infância uma vez: crianças de várias nacionalidades de mãos dadas em volta de um globo com roupinhas características de cada país, aquela representação babaca e padrão das “diferenças”. Elas cantavam e narravam em línguas estranhas.
Não sei como chegaram ao meu pai, não sei como vieram parar em mim, mas o mais importante é que não sei onde foram parar no fim. Eram vários volumes com capas diferentes, mas todas com a etiqueta incompreensível. E eu sinceramente espero que tenham ido pro mesmo lugar pronde vão os isqueiros e os guarda-chuvas, que a gente não acha nunca mais.
Muitas horas depois dessas lembranças desagradáveis, saracoteando dentro de casa, vem da sala o som do Globo Repórter. Como o GR só tem quatro pautas - saúde, lugares exóticos, religião e vida animal - vi que a matéria que se repete há seilá quantas sextas-feiras há 50 anos, era sobre Israel, Jerusalém dividida, mesquitas, garoto jesus e outros temas bíblicos.
Nessa que ouço JERUSALÉM, estico mais o pescoço e fico ouvindo a mensagem que o enviado Messias Sérgio Chapelin tem a me dizer. No BG da narração dele, uma ladainha de fundo, e eu conto pra vocês, posso jurar de pés juntos que ouvi, concluindo lembranças com fantásticas comparações, meu coração não se enganou: era o Rap do Real.



3 Comments
Viva a serendipity. Cuidado. Vicia.
rsrs. uma verdadeira cartografia mental, e lindo texto.
Bruna,admiro muito sua poesia, mas nesse texto você desrespeitou os árabes, não é assim.Abraço.
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