Quero o luxo de subir na roda-gigante
para ouvir o barulho das agulhas
caindo no chão

Uma trombada de silêncio na gritaria,
desconsertante como cantar alto e trocado
os versos de uma canção conhecida

É tudo que preciso quando não preciso de nada,
a precisão deixo para os flagras,
e os flagras para o coração

Lá de cima, a euforia é parecida
com a de consertar o relógio preferido
sem bateria há dez anos

Esqueço tantas datas - e daí -
não me constranjo, a memória
é um artigo emocional.

6 Comments

    • isaac
    • Posted May 6, 2008 at 1:17 pm
    • Permalink

    maravilhoso poema.

  1. bruuuuna
    tá rolando uma onda de inspiração incrível aí, hm?
    gostei!

  2. Mas a memória não é somente datas (óbvio).
    Lembre do alto da roda, de consertar o relógio.

  3. :D

  4. Jolie Holland. Lembrei!

    • nímia
    • Posted May 11, 2008 at 11:46 pm
    • Permalink

    Presente com laçarote de fita vermelha reluzente.

    Tamanho certo na cor predileta, lindo.

    Obrigada.

One Trackback/Pingback

  1. By Orélhice « mídias virgens & condessa buffet on 27 May 2008 at 2:36 am

    [...] processo. É um misto dos dois poemas que eu escrevi pra ela - o poema para encorajar hélices e o paladar - com outras [...]

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