Barbino
O que sobrou de toda a dor que acreditamos ter sofrido na juventude? Nada, nem mesmo uma lembrança. O pior, uma vez experimentada, reduz-se, com o tempo, a um risinho de espanto, espanto por tê-la levado pouco a sério, e também fatal na medida em que se revelou letal pelo tédio oriundo de tal reflexão. Em pedaços ou inteiros, não continuamos a viver fragmentados? E as angústias de outrora surgem como mundos tão distantes de nós, hoje, que nos parece inverossímil termos conseguido habitá-los no passado.
Aldo Busi virou um dos meus escritores favoritos. Esse trecho é do Seminário para a juventude, que já comecei a reler 20 páginas antes de ter terminado porque não quero que ele acabe nunca. Nem me importo em saber o final, a narrativa é deliciosa, tenho vontade de relê-la à exaustão.
Seminário para a juventude e Vida padrão de um vendedor provisório de colant, ambos presentes do Jura, já tão na caixa das coisas mais valiosas da minha herança. Quer dizer, ambos presentes não, um eu roubei mermo. E não devolvo.