Sobre o velho tema da saudade

Tenho que confessar que adoro o sotaque da Astrud Gilberto cantando em inglês. Ta certo que você não ouviu ela cantar em português muitas vezes, e dou razão. Em inglês é mais bonito.  Não conheço muito pindoramense que curta, só ouço dizer que é sem emoção. Não acho. Gosto daqueles “r” caipiras dela pairando na melancoriza do nariz. Acho um chaume. Pabadabadá, pabadabadá. A versão de “Fly me to the moon” ilustra bem essa belleza.

Eu não quelo il tlabalhal!.

O humor português salvará este mundo.

Melhor blog tosco do dia: cerveja fresca.

Dica da Mirandinha.

Chula das fogueiras

Amor amor meu big amor
eu dizia shazam e tu não me ligavas

pus Mandrake a seguir-te hábil nos truques
e tu não me ligavas

em qualquer planeta verde e avançadíssimo
tu não me ligavas

estendi o meu braço Homem de Borracha até S. Martinho do Bispo
e tu não me ligavas ponta nenhuma

tu querias era casar na Sé Nova
branquingénua abusar do meu livre alvedrio

fiz-te pois um manguito do tamanho dum choupo
e cá estou pai de filhos um bocado estragado

mas não por tua causa que já não existes
ó sombra de sombra à esquina da farmácia.

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Fernando Assis Pacheco

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Conheci esse poema, que leio todos os dias desde que o li a primeira vez, pelo Jura. Ele me chamou pelo braço no meio duma festa, na qual nos encontramos sem marcar, e me mostrou. A Endje tinha postado no blog da Modo de Usar e eu não tinha visto antes lá. Lamento todos os dias que passei sem lê-lo.

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Do amor

Conheço uma garota sujo sobrenome é D’AMORE.

Eu não sabia desse detalhe, só soube hoje.

Nunca tinha conhecido alguém com esse sobrenome.

Na verdade, nem sabia que existia.

Achei que D’AMORE fosse só uma banda carioca chegada nas nordestinidades.

Perguntei se era brincadeira, mas é verdade mermo. Ela assina Fulana D’amore.

Que fardo, que bonito.

Sincretismo alimentar

TAPIOCA COM CHEDDAR é uma combinação que constrage meu estômago só de olhar a placa.

Depois do almoço, então.

N’AMOROSO

Hoje tem o encerramento do curso Mulheres-Mujeres-Women (8 flagrantes sobre o século XXI) que a Ana Rüsche ministrou na biblioteca Alceu Amoroso Lima desde março.

Como um dos temas do curso era “Poetas Brasileiras Contemporâneas”, a Ana aproveitou que tinha que me devolver uns livros que me roubou e me chamou pra bater um papo com o pessoal. A Marcia Bechara também foi convidada, o que me leva a crer que a Ana anda roubando livros de mais pessoas.

Então estarei lá. Quem quiser é só chegar. Vai ter leitura, sorteio de livros e toda a CONTEMPORANÇA presente de 20h às 22h.

A biblioteca fica na esquina da Henrique Schaumman com a Cardeal, Pinheiros.

Paladar

Quero o luxo de subir na roda-gigante
para ouvir o barulho das agulhas
caindo no chão

Uma trombada de silêncio na gritaria,
desconsertante como cantar alto e trocado
os versos de uma canção conhecida

É tudo que preciso quando não preciso de nada,
a precisão deixo para os flagras,
e os flagras para o coração

Lá de cima, a euforia é parecida
com a de consertar o relógio preferido
sem bateria há dez anos

Esqueço tantas datas - e daí -
não me constranjo, a memória
é um artigo emocional.

Jotinha

o disquinho da estação da pureza

O disco é todo bom, aceitando seus altos e baixos, é garantia de loop. Simples e sincero, que nem leite com chocolate. No frio, então, deixa tudo quentinho. A música a seguir é a mais animada do disco, engraçada e cheia de Cole Porter.

Hard to say
Jaymay

When will I get my chance to make the lilacs bloom?
To decorate the tomb with petals from the groom?
Who cried “the circumstance could never be assumed”?
It’s hard to say, it’s hard to say

When will I get my chance to burn the shoulders of
The women and the men who dance when they’re in love
Who give into romance like hands give into gloves?
It’s hard to say, it’s hard to say

When will I get my chance to watch autumn leaves fall?
To make babies crawl to windowsills and all
To watch the colors change?
And some children are so strange
Some children are so strange

When will I get my chance to watch autumn leaves fall?
To make babies crawl to windowsills and all
To watch the colors change?
And some children are so strange
Some children are so strange

When will I get my chance to put you in a trance?
A-watchin all the snow that’s fallin’
Even though it never lets you down
Never makes a sound

It’s hard to say, it’s hard to say.

Meus dentes pintados com caneta bic

Que alegria - Poesia do dia - poetas de hoje para leitores de agora (Ed. Ática) - já tá na rua. Eu havia falado dele recentemente, e tava aguardando muito ansiosa essa notícia.

Repito: fico muito contente que a poesia contemporânea circule nos colégios. Na verdade, eu já fico feliz que a poesia circule, e se ela já vai chegar nos mais novos, melhor ainda que eles possam acompanhar hoje o que está sendo feito hoje. O julgamento e a crítica vão soar mais sinceros. E quentes.

No site tem detalhes. Senti a falta de vários poetas, mas tamos lá: Alberto Pucheu, André Dick, Bruna Beber, Danilo Monteiro, Diego Vinhas, Elisa Andrade Buzzo, Fabrício Carpinejar, Fabrício Corsaletti, Joca Reiners Terron, Marcelo Camelo, Mário Bortolotto, Paulo Scott, Paulo Seben e Rodrigo Petronio.

É tudo que eu procuro.

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Presente da Sereia.

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